sexta-feira, 30 de março de 2012

Lista de Aprovados no Programa VAI 2012

Saiu nesta última noite a lista de aprovados no Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) 2012. Aos amigos que conseguiram, nossas congratulações! Esperamos que este recurso seja um elemento crucial para o crescimento de vocês da mesma forma que foi para os Peixes nos dois últimos anos. Infelizmente, não podemos mais pegar VAI, o que, de certa forma, é bom. Primeiro, porque não é justo que um mesmo grupo pegue esse recurso diversas vezes enquanto muitos batalham anos para consegui-lo. Segundo, porque não podemos depender do VAI e temos que correr atrás de outras leis de incentivo, o que gera maior crescimento.

Sem mais delongas, segue a lista:


PESSOA FÍSICA – LISTA 1
COD
Nome do Projeto
AR 010
Love CT - Inclusão e resgate do skateboarding
AR 012
Vai Vendo - a cultura em material representando
AR 018
Penharol Rap-a-dub
AR 021
Econsciencia
AR 028
Esse graffiti vai dar samba
AR 033
Rádio Love Rap
AR 034
Jardim Colorido
AR 038
Itaquera na Cena
AR 049
Rap Hour
AR 050
Funk TV
AR 051
Olhar urbano sobre culturas-matrizes brasileiras: o indígena tribal, o negro quilombola e o branco camponês
AR 056
Diversidade: componente natural da sociedade
AR 060
Cidade Tiradentes em foco
AR 070
Cinemateus
AR 075
Projeto Praça Viva
AR 076
Acendendo os Prédios 2
AR 077
Casa de Cultura Sociedade Aternativa
BB 013
Desafio de Fio a Pavio
BB 027
Click, um olhar curioso sobre o mundo - ganha multiplicadores
BB 034
A Dança das Notas
BB 035
Cidade, Poesias e Memória
BB 040
Aluga-se um Terreno na Lua
BT 004
O Homem de Outrora, o Homem de Agora
BT 015
Who Can Roast the Most – Resgatando a essência do Hip Hop
BT 018
Elas por Elas
BT 026
Choro na Praça
CCIP 001
RPG Ferramenta alternativa para práticas culturais
CCIP 014
Sonhos
CCIP 017
OCA - Organização Cultural em Atividade
CCIP 018
Quem não é visto, não é lembrado
CCIP 031
Tunpé Kojá Tité - revivendo o passado sagrado
CCIP 035
Fat Laces
CCIP 040
Rádio Studio Vida Luiza Americana
CCIP 049
Talabatuque samba ambiental
CCJ 006
Entre becos e vielas tudo acaba em coletivo
CCJ 007
Guardiões Griô - Agentes de Cultura Local
CCJ 012
PeriferiAção: Musica e Audiovisual na Quebrada
CCJ 016
Dona Albertina Jura!
CCJ 019
Gravurando
CCJ 021
Virado a Paulista
CCJ 026
Festival de Dança Urbana 2
CCJ 027
Maria Sem Vergonha: as flores no asfalto
CCJ 032
Pelas Ondas da Rádio Estudantil
CCJ 033
Ensaio aberto II
CCJ 039
Podcast Frequência Damata
CCJ 040
Laboratório Nômade - Experimentando o Áudio na Cidade
CCJ 043
O Revoar das Borboletas
CCJ 047
Piratas de Galochas na Luz
CCJ 048
Aldeia Nova - Memórias do Meu Chão
CCJ 051
Estética Negra, uma beleza enraizada
CCMB 010
Núcleo Paz e Cultura
CCMB 011
Sarau em Praça Pública
CCMB 024
Palhaços em  3 dimensões
CCMB 032
Fermentando a biblioteca comunitária
CCMB 053
Vamos brincar na rua?
CCMB 066
Linha do tempo
CCPC 017
Rádio onda jovem 2.0
CCPC 018
Anatomia e arte, periferia integrada
CCPC 019
Sementes de leitura
CCPC 020
Cortejos de leitura: bordando novas histórias
CCPC 023
Astúcia Filmes
CCPC 026
Itinerante: a cultura com pé na estrada
CCPC 027
Canja do artista
CCPC 030
A água acabou
CCPC 039
RPG & cultura
CCPC 057
Olhares de uma São Paulo mais inclusiva
SMC 004
DIVERSOU
SMC 007
RapRockAndRollPsicodeliaHardCoreRagga - 2 Edição
SMC 021
Um passaro na mão ou o que é que você tem ai?
SMC 045
Tia Tralha, Mergulhando no Riso, no Grotesco e no Cômico Popular
SMC 050
Pesquisa e Documentário Vidas Ocultas - 2º ano
SMC 053
Rap Móvel
SMC 061
Perdoa-me por me traires - Nelson Rodrigues para todos
SMC 069
Ter Sarau
SMC 071
Xondoro há´e xondoria jeroky
SMC 073
Uma Partidança de Futebol
SMC 074
Mulheres Multiplicando Ruinas
SMC 077
4 Cantos
SMC 081
Canal Sonoro
SMC 082
Livro: PeriFemininas
SMC 091
Soulbrasileiro
SMC 098
Beco Cultural
SMC 099
Ilumina Oya
SMC 101
Geração Ponte
SMC 103
Delinear Leste
SMC 104
Ocupa Sound
SMC 109
Crianças Raízes
SMC 114
Gueto pro Gueto - Sistema de Som
SMC 124
Encontro de caracóis - quem não divide não soma
SMC 126
Coletivo Perifatividade
SMC 136
Sou locker - Encontro Pualista de Locking
SMC 137
Batalha na Vila
SMC 151
Eu voto, tu votas, ele vota, nós votamos, vós votais, eles votam e você em quem votou?
SMC 155
Projeto Bonecão de rua - Sucatas Ambulantes 5 anos
SMC 164
Temporada para Amigos
SMC 165
No passo do samab rock
SMC 169
MAVIS - Mostra itinerante de audiovisual ambiental
SMC 173
Corte de Erês - Jabaquara, Terra de Reis e Rainhas
SMC 175
Davila
SMC 177
Projeto Ocupação Cultural
SMC 187
CD Zamba Rap Clube
SMC 203
Pintando histórias
SMC 207
Festa Zumbiido
SMC 208
coNEcT_MOVI
SMC 214
Jovens feministas presentes
SMC 221
Incorpore o lona
SMC 227
Ditadura Militar Popular Brasileira
SMC 229
Bak - encontro de bandas
SMC 245
Agência Popular de Fomento a Cultura Solano Trindade
SMC 252
Informativo Cultura ZL
SMC 255
Daqui a pouco o peixe pula
SMC 261
Plataforma Digital - Movendo Atitudes
SMC 265
Fábrica de Arte
SMC 266
Mano Invisível
SMC 269
Tecendo e Trançando Arte - Oficina de Técnicas para cabelo
SMC 279
Sampa é América Latina
SMC 281
Cinza Revista
SMC 282
Agora vai - Teatro no Boqueirão
SMC 294
Nós na Corda Bamba apresenta Homens de Papel
SMC 303
Pira na Notícia
SMC 318
Nanano - as narrativas do navio nômade
SMC 327
Web Tv Hip Hop Mulher 2012
SMC 342
Bora que os BR's é um barato
SMC 350
Preta ação na batida da revolução
SMC 351
Shakeaspeare não dança na rua
SMC 355
Festival Mulheres MCs - 2ª edição
SMC 411
Sambailando II
SMC 412
Viva a Vida com Energia
SMC 425
O que a cidade não vê


PESSOA JURÍDICA

COD
Nome do Projeto
CCIP 027
Samba no veredas
CCMB 042
Raízes culturais Monte Azul - 2012
CCMB 064
Hip Hop conectando quebradas: meios de comunicação à prevenção e responsabilidade social
CCPC 056
Cineclube da comunidade - cine cidadão
SMC 075
Dança, Morro do Querosene
SMC 085
Nos Muros da Vila... As Cores da Cidade
SMC 125
Índios, negros e caboclos em São Paulo em São Paulo - a história da floresta que se perdeu
SMC 310
CULPER - Cultura na periferia
SMC 414
Quarto Mundo


Lembrando que esta não é a lista final. Outros 40 projetos serão selecionados nos próximos dias. Então, se seu nome não está aqui, ainda há esperança. Fique de olho!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Oficina "Redescobrindo o Circo-Teatro" 2012 - Quarto dia







Finalmente, após tantas aulas "introdutórias", entramos no assunto principal de nossa oficina: o Circo. O quarto dia da oficina "Redescobrindo o Circo-Teatro" 2012 teve como tema principal a introdução à pesquisa teatral (nada mais lógico, já que a Cia. Teatral Um Peixe é um grupo de pesquisa).

Oficina Técnica - Maquiagem
Alunas falando sobre o Budismo
Na primeira aula do dia, ministrada pela coordenadora do Núcleo de Figurino & Maquiagem dos Peixes, Luanda Mangeni, os artistas-aprendizes trouxeram o resultado da pesquisa que realizaram sobre indumentária nas religiões budistas, islâmicas, cristãs e africanas. Sua exposição foi seguida de comentários embasados em ampla pesquisa bibliográfica (que será repassada aos alunos via email. Fiquem atentos). Uma das questões mais relevantes acerca da indumentária diz respeito aos signos. Perceberemos, no decorrer do ano, que a simbologia é algo extremamente valioso para as formas populares de teatro, que valorizam a forma, o gesto, a plasticidade e, é claro, a construção externa de personagens.

Expressão Corporal
Danilo Gomes explicando movimentos com intenção
Depois, foi a vez do preparador corporal, Danilo Gomes, iniciar o trabalho em torno de movimento. O foco deste último sábado esteve nos braços (que os artistas-aprendizes trabalharam à exaustão) e na movimentação reta (pontuada), ondulada, quadrada e torcida. Esse tipo de exercício é fundamental para que comecemos a entender a questão da plasticidade do movimento. No final, os alunos ainda brincaram de composição de imagens.

História e Interpretação
Para fechar o dia, o diretor André Domicciano começou a tratar do assunto principal da oficina: o Circo. Nesta primeira aula, falou-se sobre a história do Circo Universal, ressaltando a fundação do que hoje chamamos Circo, a questão dos números circenses antes desse período, a classificação dos mesmos segundo Tristan Rémy e, é claro, a relação com o teatro. Como vimos, teatro e circo sempre tiveram uma relação muito íntima. Para entendê-la melhor, estudamos um pouco o teatro de feira e a chamada Pantomima. Antes de mais nada, é importante salientar que pantomima NÃO É uma encenação muda. Historicamente falando, sabemos que a pantomima pode ser falada, cantada, dançada e, também, muda. O que realmente caracteriza a pantomima é a atenção ao gesto! Aliás, a questão do gesto é importante para praticamente todas as formas populares de teatro: pantomimas, arlequinadas, commedia dell'arte e, como não poderia deixar de ser, circo-teatro. Por fim, falamos sobre as três etapas do treinamento de um ator de pantomima: o contegno, o gesto e a ostentio.
Gravura que mostra o Astley's Royal Amphitheatre
Terminada a parte histórica, fomos para alguns exercícios básicos de interpretação que nos acompanharão durante o ano todo: o andar e o olhar. A base e a relação. Nesse quarto dia, brincamos um pouco com o ritmo, a pulsação circense, a relação de olhar duradoura, com intenção, e a fuga. Para encerrar, foi proposto um exercício extremamente simples mas, ao mesmo tempo, complicadíssimo: de onde vim e para onde vou. Individualmente, os artistas-aprendizes viram o quão difícil é comunicar uma ação simples que indique onde estávamos e para onde iremos apenas com o gestual. Contegno, gesto e ostentio. Mais ainda: vimos o quanto um signo corporal pode ser valioso na comunicação. Nessa oficina, nada é por acaso. Tudo está relacionado!

No próximo sábado, teremos a primeira aula de Música com o diretor musical e coordenador do Núcleo de Música da Cia. Teatral Um Peixe, Gabriel Alex. Também teremos mais preparação corporal e, em história, falaremos um pouco sobre o Brasil colonial.

Até lá!

sexta-feira, 23 de março de 2012

[INFORME] Ao mestre, com carinho!

Hoje, dia 23 de Março de 2012, tivemos a tristeza de ver mais um de nossos mestres partir!

Aos 80 anos, Chico Anysio, um dos maiores (senão O maior) humoristas desse país, nos deixou. Ficar, nesse momento, remoendo os porquês de sua morte ou contando sua história seria chover no molhado. A notícia já está dada, a manchete estampada. Chorar também não é uma opção. Não. Não para esse verdadeiro gênio do riso.

Neste momento, devemos celebrar a vida de Chico Anysio, que tanto nos ensinou! Ao lado de grandes artistas como Dercy Gonçalves, Zé Trindade, Grande Otelo, Oscarito, Zezé Macedo e tantos outros, este cearense de Maranguape nos encantou e divertiu. De humor inteligente, extremamente rápido e perspicaz, Chico Anysio ficou conhecido pelos seus muitos personagens. Ao todo, foram 209, um completamente diferente do outro, tanto na voz, quanto no aspecto. Uma escola viva de interpretação e construção de personagens. Todos se lembram de Alberto Roberto, Professor Raimundo, Coalhada, Painho e, meu predileto, Bento Carneiro. E como não lembrar? Foram personagens que ocuparam boa parte de nosso imaginário infantil (até os mais novos devem se lembrar, pelo menos, da "Escolinha do Professor Raimundo").

Hoje à tarde, ao saber de seu falecimento, escrevi uma pequena mensagem em meu facebook, a qual transcrevo abaixo:

"Mais um mestre nos deixa. E agora? Cada perda que temos nos traz uma sensação de responsabilidade. Quem ficará em teu lugar, mestre? Será que essa nova geração de artistas honrará teu nome? Será que seremos bons o bastante? Sábios o bastante? Dignos? Nós, da Cia. Teatral Um Peixe, partidários de um humor puro e ingênuo, lamentamos mais esta lacuna que aparece em nosso meio. E é em teu nome, Chico Anysio, que prometemos estudar cada vez mais. Nunca seremos como você. Mas tentaremos dar o nosso melhor! É o mínimo que você merece de nós, artistas. Somos seus herdeiros!"

E é com essa singela homenagem que desejamos a você uma boa subida, mestre! Sabemos que você finalmente se reuniu com tantos bons amigos perdidos no decorrer dessa jornada. 

Por fim, vale citar um de seus inúmeros personagens - Professor Gavião:

"O humorismo é uma coisa muito fácil de se fazer: tem que ser discreto." 

Chico, você nos ensinou em todos os momentos, mestre!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Oficina "Redescobrindo o Circo-Teatro" 2012 - Terceiro dia




O terceiro dia da Oficina "Redescobrindo o Circo-Teatro" 2012, com certeza, foi marcado por introduzir e ilustrar a questão circense. Infelizmente, não pudemos registrar esse dia com fotos (afinal, ou levávamos a máquina fotográfica ou o datashow...), mas as lembranças ficarão pra sempre na memória.

Oficina Técnica - Cenografia
Livro "Máquina para os Deuses"
O dia começou com a aula de Cenografia - ministrada pelo coordenador do Núcleo de Cenografia da Cia. Teatral Um Peixe, Plínio Garcia. Nela, os artistas-aprendizes tiveram um primeiro contato com os vários tipos de cenografia: ortográfico, sofocliano etc. O estudo foi baseado na obra de Cyro del Nero, "Máquina para os Deuses". Em seguida, divididos em grupos, os alunos receberam um poema e, a partir de sua análise, elaboraram um projeto cenográfico usando os elementos estudados. Então, o grande momento: os projetos foram trocados entre os grupos e estes, por sua vez, tiveram de montar uma cena baseada no cenário. Divertidíssimo! Vai ser difícil tirar da cabeça cenas como a sala de espelhos (e a oca!), a sessão de lava-pé, o velório e, é claro, o ovo!

História e Interpretação
Cena de "Noites de Circo"
Então foi a vez de ilustrarmos a aula de História do Circo-Teatro do dia 10 de Março. Primeiro, foi passado um trecho do filme "Noites de Circo", de Ingmar Bergman, onde pudemos avaliar o discurso que prega a superioridade do teatro sobre o circo (um diálogo deslumbrante e terrível). De viés expressionista, o filme mostra a trajetória humilhante de uma trupe circense em decadência. Obrigados a deixar boa parte de seus figurinos para trás, os circenses pedem ajuda de uma cia. teatral local. O que se segue é uma coletânea de humilhações, de ordem cultural e social. O filme ilustra bem o eterno embate entre as artes ditas "eruditas" e seus "primos pobres", enfatizando o discurso prepotente e arrogante do primeiro e a postura humilde e desesperada do outro. No final, temos o embate propriamente dito, onde o dono do circo e um ator da cia. teatral digladiam-se no picadeiro. O resultado não poderia ser mais óbvio: apesar de toda a sua corpulência, o dono do circo é derrotado e, mais uma vez, humilhado. Seria esse, então, o fim do circo?

Em seguida, assistimos ao filme "Os Palhaços", de Federico Fellini. Nele, vemos Fellini revisitando o universo circense em um documentário que trata de uma das figuras mais essenciais do picadeiro: o palhaço. Números circenses intercalam-se a depoimentos e entrevistas de artistas e pesquisadores reais. É um filme belo e tocante, que mostra a paixão pelo circo. Em determinado momento, Fellini esbarra em uma questão delicada: o fim do circo. O próprio Tristan Remy questiona "por que um filme sobre palhaços?", alegando que o circo não significa mais nada. As últimas cenas ilustram bem isso, trazendo o funeral do Augusto (um dos tipos cômicos) e salientando o estado decrépito em que muitos palhaços se encontravam. 


Os dois filmes foram fundamentais para iniciarmos um debate sobre a realidade do Circo. Muitas questões foram levantadas e, durante o ano, tentaremos responder a cada uma delas. O mais importante, neste momento, é salientar que o Circo não morreu. Nem morrerá!

Na próxima aula, começaremos a estudar as origens do Circo. Também teremos aula de Maquiagem e de Expressão Corporal.

Até sábado! 

domingo, 11 de março de 2012

Oficina "Redescobrindo o Circo-Teatro" 2012 - Segundo dia

Ontem, dia 10 de Março, iniciamos as aulas propriamente ditas da oficina "Redescobrindo o Circo-Teatro" 2012. Agora, vamos a um pequeno resumo do dia.

Oficina Técnica - Figurino
Alunos entretidos na aula de Figurino
A primeira aula do dia foi de Figurino, com a coordenadora do Núcleo de Figurino & Maquiagem da Cia. Teatral Um Peixe, Luanda Mangeni. Como trataremos de uma linguagem específica em nossa oficina, não teria sentido começar com uma aula prática de figurino. Por isso, este primeiro dia foi destinado a um estudo histórico do teatro universal, abordando o que é considerado o início da representação: o ritual. A partir do estudo do xamanismo, falou-se sobre a "proto" invenção dos muitos elementos que compõem a representação: espaço cênico, maquiagem, indumentária, sonorização, iluminação, cenografia, texto e a própria interpretação. Por fim, foi pedido aos alunos que, divididos em grupos, pesquisassem esses elementos da representação em quatro religiões: Cristianismo, Islamismo, Budismo e Candomblé. O resultado da pesquisa será apresentado no dia 24/03.

Expressão Corporal
Exercício dos Oitos
Depois, foi a vez de Danilo Gomes, o preparador corporal do grupo, assumir o comando com suas aulas de expressão corporal. Os artistas-aprendizes tiveram, então, seu primeiro contato com o exercício dos oitos e, em seguida, com o conceito de desequilíbrio. Mais importante que isso, foi salientado, em diversos momentos, o cuidado e o respeito com o corpo (o seu e o do outro), mostrando que a intenção dessas aulas não é machucar ou "torturar" o aluno, e sim despertar a consciência corporal, a noção de espaço e as possibilidades do corpo enquanto ferramenta. Educar o corpo e ultrapassar limites (muitas vezes impostos pelo racional) são duas metas dessas aulas.

História e Interpretação
Exercício de relação de olhar em 10 tempos
Por fim, os artistas-aprendizes tiveram sua primeira aula de História do Circo-Teatro e Interpretação Circense com o diretor André Domicciano. O tema trabalhado foi o conceito de "Não pensa, faz!". Em primeiro lugar, propôs-se uma pequena discussão acerca do eterno conflito "Palhaço x Clown", onde foram levantadas diferenças significativas na técnica de criação destes personagens: o primeiro, uma criação arquetípica externa; o outro, interna. Para o estudo do Circo-Teatro, é de extrema importância que o artista-aprendiz entenda essa diferença, já que nos valeremos exclusivamente de construções externas. Também foi falado sobre as características e os tipos de palhaços, dando ênfase à dupla cômica: Clown (Branco) e Excêntrico (Augusto). Em seguida, partimos à parte prática, trabalhando os extremos do ator: pés e olhos. Para finalizar, dois exercícios básicos: Quadro de Cena (para introduzir questões de posicionamento de palco) e Foto (para quebrar de uma vez a questão do racionalismo).
Foto "Roubando hóstia na Igreja" 

Na próxima aula, os artistas-aprendizes terão Oficina Técnica de Cenografia e assistirão ao filme "Os Palhaços", de Federico Fellini, seguido de debate e análise.

Sejam todos muito bem-vindos!